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KARATÊ

DOJÔ -   KUN

São os princípios que regem o Karatê-dô Shotokan, todos os Karatecas devem conhecer estes princípios e ao final de cada aula deverão ser pronunciados.

HITOTSU – JINKAKU KANSEI NI TSUTOMURU KOTO.
(esforçar para a formação do caráter saudável).
Esforço diário para aperfeiçoar o caráter e o seu potencial.

HITOTSU – MAKOTO NO MICHI O MAMORU KOTO.
(Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão).
Makoto significa real imagem do bom ou do mau. É ter a capacidade de analisar o que é realmente o que é bom e colocar em prática.

HITOTSU – DORYOKU NO SEISHIN O YASHINAU KOTO.
(Desenvolver a persistência e o esforço).
O esforço, não de ser momentâneo, e sim, de ser contínuo de forma que deve ocorrer em todas as situações.

HITOTSU – REIGUI O OMONZURU KOTO.
(Respeito acima de tudo).
Cumprimentos são atos de respeito às pessoas que demonstram respeitos. É também respeitar a sua própia capacidade

HITOTSU – KEKKI NO  YU O IMASHIMURU KOTO.
(Conter o espírito de agressão destrutivo).

O espírito do Karatê não é para sentir algo contra as pessoas e sim sentir motivação a fim de aperfeiçoar e lapidar suas técnicas que poderão ser utilizadas no decorrer da sua vida.

HISTÓRIA DO KARATÊ-DO SHOTOKAN

SINOPSE HISTÓRICA

Antes de darmos início na história e na filosofia do Karatê Shotokan, se faz necessário uma introdução na história do Budô e no Karatê como um todo.
O berço das artes marciais é a Índia, de onde teria emigrado para a China o monge BODHIDHARMA ou DARUMA TAISHI em japonês.
O monge Bodhidharma teria ido, segundo a história, à China ensinar o Budismo sob uma nova luz, pois a doutrina budista que fora introduzido naquele país teria sofrido profunda e nefasta influência de conceitos errados e se distanciado da doutrina original.
Foi no templo Shaolin que o monge introduziu este novo conceito de Budismo, impondo um rigoroso treinamento de fortalecimento corporal com exercícios respiratórios.
Todo este treinamento tinha um objetivo – fortalecer o corpo e o espírito para os longos períodos de meditação. Com a execução diária destes treinamentos os monges tornaram-se imbatíveis na arte da luta corpo-a-corpo, tornando-se famosos além de suas fronteiras.
Através das rotas de comércio e emigração, estes conhecimentos foram passados para toda a Ásia até chegar a um vasto grupo de ilhas, denominados pelos chineses RYU KYU, mais precisamente a maior destas ilhas, chamada de OKINAWA.
A vida em Okinawa sempre foi rude. Para se adaptar ao meio naturalmente hostil e extrai seus alimentos de um solo fino e impróprio à cultura, o habitante de Okinawa precisou forjar a vontade, a tenacidade e a engenhosidade – qualidade que teria que ter ainda em dobro em face de sucessivos invasores que pretendiam subjugá-los a todo o custo.
O instinto de sobrevivência faria surgir recursos de resistência, técnicas de combate a mãos nuas ou com armas improvisadas de utensílios agrícolas e domésticos.
Não bastasse a ameaça estrangeira, os okinawenses eram governados por um regime ditatorial e no século XV foi promulgado um edito proibindo o uso porte ou a conservação de armas de qualquer natureza. Os oprimidos okinawenses viram no fato um motivo a mais para desenvolver técnicas de combate apoiadas nas próprias mãos, aliado a um conhecimento que já tinham de técnicas chinesas, conhecidas como CHUAN FA (KEMPO).
No século XVII, agora sob influência de um governo japonês, novamente é promulgado um edito semelhante ao que fora imposto no século XV. Há de se esclarecer que até o século XVII Okinawa tinha um governo próprio. Em 1609 o clã Satsuma invade a ilha com 3 mil guerreiros e subjuga o povo okinawense e assim ficou sob o seu domínio até o ano de 1879 – data em que a ilha tornou-se parte do território japonês.
Em decorrência deste novo edito, o século XVII contemplava o nascimento do TO-DE ou OKINAWA-TÊ, precursor do KARATÊ.
A proibição pelo uso de armas por um governo ditatorial e truculento despertou não somente inusitado interesse pelas técnicas de combate como generalizou uma prática até então restritas a pequenas minorias. Foi a época de treinamentos enfurecidos em lugares secretos, geralmente à noite e longe dos centros habitados. Este ambiente de ¨conspiração¨ continuaria até o final do século XIX.
Tecnicamente sabe-se bem pouco deste período obscuro do Karatê, em decorrência da desconfiança  pelo conhecimento escrito, e ensino seletivo, a transmissão oral, assim como as ¨representações¨ de técnicas letais, zelosamente ocultas em movimentos inócuos (a mesma idéia fundamental que se encontra nos KATA).
O Okinawa-tê era subdividido em três estilos básicos: NAHA-TE, SHURI-TE e TOMARI-TE, dos nomes das cidades onde eram praticados.
Ao redor da cidade de Shuri desenvolveu-se o  Shuri. Suas técnicas lembram as técnicas do norte da China e o estilo chinês dito externo, no qual se trabalha muito os membros inferiores (deslocamentos rápidos, esquivas, chutes altos, saltos e até mesmo movimentos acrobáticos) com ênfase a velocidade. O Karatê Shotokan de GICHIN FUNAKOSHI, que treinou o Shuri-te, irá receber uma influência muito forte desta escola.
Em Okinawa, talvez mais do que qualquer outro lugar, houve uma verdadeira osmose entre homens e seus meios.
No decorrer de lenta maturação da ¨arte das mãos vazias¨ indivíduos de primeiro plano surgiram: alguns lendários, outros totalmente históricos. Entre estes personagens encontravam-se ANKO AZATO e ANKO ITOSU, estes foram os mestres de GICHIN FUNAKOSHI, que viria a ser o codificador do KARATÊ SHOTOKAN e conhecido também como o ¨Pai do Karatê Moderno¨.
Há de se ressaltar que há 150 anos, o treinamento do Karatê nada tinha a ver com ¨atividade esportiva¨. Era uma arte marcial no sentido próprio do termo, destinada a matar ou pelo menos a ferir gravemente seu oponente, sem enfeites inúteis.
O treinamento baseava-se única e exclusivamente no uso do makiwara e nos Katas, repetidos sem descanso numa disciplina perfeita a que se acrescentava o Bunkai, isto é a aplicação restrita das técnicas codificadas nesses Katas. O makiwara é um poste de madeira onde na sua extremidade é colocado um revestimento de palha, é utilizado para o fortalecimento dos membros superiores e inferiores e ao aperfeiçoamento do KIME.
No ano de 1868, por coincidência o ano do nascimento do professor Gichin  Funakoshi , o imperador Meiji decreta o fim do Shogunato no Japão, fortalecendo assim o poder imperial e destituindo os feudos. Estes novos ventos também chegaram em Okinawa, que a partir do ano de 1879 anexava-se ao pais do Sol Nascente.
Com este acontecimento, o Japão se abre para o Ocidente, ávidos por sua modernidade e tecnologia. Estes tempos de mudança se faz sentir também na arte das mãos vazias praticadas em Okinawa.
No início do século XX, mestre Anko Itosu introduz o Karatê nos programas de cultura física das escolas de Okinawa. Este ato é considerado por muitos estudiosos do Karatê, como sendo o início da expanção do conhecimento da arte do Karatê.
O aluno mais dileto do mestre Itosu, Gichin Funakoshi, também tinha uma preocupação com o aspecto educativo do Karatê. Nesta época Funakoshi era professor de uma escola pública na cidade de Naha, em Okinawa. Mestre Funakoshi alimentava um sonho, que era expandir o conhecimento de sua arte para além de Okinawa.
Este sonho iria começar a tomar forma no ano de 1916, ano em que mestre Funakoshi faz sua primeira demonstração em solo japonês na cidade de Kyoto.
No ano de 1921, numa passagem do príncipe herdeiro Hiroito por Okinawa, por ocasião de uma viagem à Europa, foi apresentado ao príncipe e a sua comitiva uma apresentação de Karatê. Com esta demonstração ao príncipe, as portas se abriram no Japão. No ano seguinte, em 1922, uma organização que estava organizando os Jogos Atléticos na cidade de Tóquio, faz um convite ao mestre Funakoshi para que se apresente em uma demonstração nestes Jogos que era promovida pelo Ministério da Educação.
Aceito o convite, mestre Funakoshi programou-se para ficar apenas alguns dias, não mais do que uma semana. Sua demonstração causou um impacto tão positivo que ele nunca mais retornaria à sua terra natal.
No Japão,mestre Funakoshi fez algumas modificações no Karatê que havia aprendido em Okinawa, incorporando-lhe movimentos de outras artes marciais japonesas e introduzindo uma filosofia que busca a perfeição ética e moral a ser seguida pelo homem, acima das técnicas combativas. A partir daí, mestre Funakoshi começa a compilar um novo sentido ao Karatê-Jutsu para se transformar em Karatê-Dô.
O Karatê com esta nova filosofia começa a ganhar espaço nas universidades japonesas. A ¨arte das mãos vazias¨ começa a perder a aura mística e excêntrica e entrar na era moderna: cientifica e esportiva.
Em 1936, mestre Funakoshi mudou os caracteres kanji utilizados para escrever a palavra Karatê. O caracter ¨kara¨ significava ¨China¨, e o caracter ¨te¨ significava ¨mão¨. Para popularizar mais a arte no Japão, ele mudou o caracter ¨kara¨ por outro, que significa ¨vazio¨. Assim de ¨Mãos chinesas¨ o Karatê passou a significar ¨Mãos Vazias¨, e co os dois caracteres são lidos do mesmo jeito, então a pronúncia da palavra continuou a mesma.
Além disso, mestre Funakoshi defendia que o termo ¨mãos vazias¨ seria o mais apropriado, pois representa não só o fato de o Karatê ser um método de defesa sem armas, mas também representa o espírito do Karatê, que é esvaziar o corpo de todos os desejos e vaidades terrenos.
O nome SHOTOKAN dado ao estilo de Karatê que mestre Funakoshi ensinava fora dado por seus alunos. ¨SHOTO¨ era o pseudônimo que mestre Funakoshi usava para assinar seus poemas, pois ele era um homem erudito e muito culto. ¨SHO¨ significa pinheiro e ¨TO¨ ondas ou som que as árvores fazem quando o vento bate nelas. Quando mestre Funakoshi recolhia-se para escrever seus poemas e pensamentos ele costumava buscar inspiração ouvindo o barulho dos pinheiros ondulando ao vento.
Por volta de 1936, o movimento do Karatê Shotokan estava ganhando força, com mestre Funakoshi tendo estabelecido mais de 30 Dojos em campus universitários e estabelecimentos comerciais e neles ensinando.
O primeiro Dojo independente de Karatê, o SHOTOKAN, foi aberto pelos alunos de mestre Funakoshi. Tal crescimento do Karatê foi interrompido pela II Guerra Mundial e muitos alunos foram mortos nesse conflito. O SHOTOKAN foi destruído num ataque aéreo, em 1945.
Quase imediatamente após o término da guerra, os antigos alunos de mestre Funakoshi se uniram para restabelecer os treinamentos e reestruturar o Dojo Shotokan. O objetivo desta reunião era também a construção de uma grande e forte organização. Em 1949, o NIHON KARATÊ KIOKAI (Associação Japonesa de Karatê, comumente chamada de JKA) era oficialmente organizada, com mestre Funakoshi nomeado instrutor emérito principal. Professor Masatoshi Nakayama, reconhecido pela excelente capacidade administrativa, recebe o encargo da elaboração de programas técnicos e da organização que estava nascendo.
Em 1955 a JKA é oficialmente incorporada como corpo educacional do Ministério da Educação.
Nestes tempos pós-guerra o Karatê é apresentado ao Ocidente, mais precisamente aos militares norte-americanos que compunham a força de ocupação no Japão.
O contato com os americanos causou um grande impacto nos instrutores japoneses, pois os americanos queriam saber por que as coisas eram feitas do jeito que eram  feitas. Os professores Nakayama e Nishiama foram obrigados a estudar e pesquisar bases científicas do Karatê técnico, anatomia, cinestesia, psicologia, física e fisiologia aplicada. Essas pesquisas e seu desenvolvimento em bases científicas e racionais alteraram fundamentalmente tanto o ensino  quanto os métodos de treinamento.
É em conseqüência destes estudos e pesquisas que o Karatê Shotokan ministrados pela JKA irá conhecer uma nova e profícua fase em sua história. É nesta época que os professores Nakayama e Nishiama irão estabelecer um novo conceito didático ao Karatê, como nós o conhecemos hoje.
No intento de tornar o Karatê internacional em natureza e popularidade, a JKA criou e pôs em prática regras que permitiriam competições esportivas. O primeiro campeonato ocorreu em julho de 1957, dois meses depois da morte de mestre Funakoshi.
Alem de desenvolver o aspecto esportivo do Karatê, A JKA também instituiu um programa de treinamento visando o desenvolvimento de instrutores a ser enviado além mar para expandir a arte do Karatê.
Para ser admitido, o interessado tinha que ter diploma universitário e ser faixa preta 2º grau. Além do treinamento em Karatê, os futuros instrutores estudavam anatomia, psicologia, física, história e filosofia da educação e esporte, além de administração de empresas. Para completar este programa era-lhe exigido passar no exame de 3º grau e servir como instrutor interno durante um ano.
Tal programa único, produziu alguns dos mais capazes karatekas do mundo e sua missão na vida foi a de expandir a arte do Karatê Shotokan em outros paises.
O sonho do mestre Funakoshi de divulgar a arte do Karatê estava se concretizando nas mãos do professor Nakayama à frente da JKA, um trabalho que ele realizou incansavelmente até a sua morte em 1987.
Após a morte do professor Nakayama, a JKA passou a ser presidida pelo professor Nakahara e tendo como diretor técnico o professor Sugyura. Afinados com a política de pesquisa de expansão do professor Nakayama, esta nova direção irá dar continuidade ao trabalhos que já vinham sendo realizados, prosseguindo até os nossos dias.
A JKA além de ser um órgão máximo que rege o Karatê Shotokan, é também um grande centro de pesquisa científica, tal preceito encontramos nas palavras do professor  MASSAHIKO TANAKA, 8º grau e tri-campeão mundial: ¨Somos um laboratório de eterna pesquisa e evolução do Karatê, para que ele não pare no tempo e no espaço. Por isso ele é considerado forte, eficiente e elegante¨.

 

 
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